MIGS são cirurgias minimamente invasivas de glaucoma. Elas ocupam o espaço entre o colírio e a cirurgia tradicional: reduzem a pressão ocular com muito menos risco que a trabeculectomia, recuperação rápida, e frequentemente são feitas junto com a cirurgia de catarata.
Durante décadas, o tratamento cirúrgico do glaucoma ficou restrito a procedimentos como a trabeculectomia — eficaz, mas associada a riscos e tempo de recuperação consideráveis. Nos últimos anos, uma nova categoria de procedimentos surgiu para preencher a lacuna entre os colírios e as cirurgias maiores: os MIGS.
O que são os MIGS?
MIGS é a sigla para Minimally Invasive Glaucoma Surgery — em português, cirurgias minimamente invasivas para glaucoma. São procedimentos que utilizam microdispositivos ou técnicas de microincisão para melhorar a drenagem do humor aquoso e reduzir a pressão intraocular, com menor risco cirúrgico e recuperação mais rápida comparados às cirurgias convencionais.
Uma das grandes vantagens dos MIGS é a possibilidade de realizá-los simultaneamente à cirurgia de catarata, sem aumentar significativamente o tempo cirúrgico ou os riscos. Para pacientes que têm catarata e glaucoma ao mesmo tempo, essa combinação pode resolver dois problemas em uma única intervenção.
Como os MIGS funcionam?
Os MIGS atuam pela via natural de drenagem do olho — a malha trabecular e o canal de Schlemm. Por meio de microincisões e microdispositivos, aumentam o fluxo de saída do humor aquoso sem criar novas vias externas de drenagem, o que explica o excelente perfil de segurança desses procedimentos. Exemplos incluem o iStent inject, o Hydrus e a trabeculotomia por goniotomia (GATT). São os mais indicados para casos leves a moderados.
Para quem os MIGS são indicados?
Os MIGS têm indicação mais precisa que as cirurgias convencionais. Em geral, são mais adequados para:
- Glaucoma leve a moderado não controlado com colírios
- Pacientes que serão submetidos a cirurgia de catarata simultaneamente
- Casos em que se deseja reduzir o número de colírios
- Pacientes com contraindicação ou intolerância às cirurgias mais invasivas
- Glaucoma de ângulo aberto (a maioria dos casos)
Qual a diferença entre MIGS e trabeculectomia?
A trabeculectomia é a cirurgia clássica do glaucoma e a que proporciona a maior redução de pressão intraocular dentre todos os procedimentos disponíveis. Cria uma fístula (abertura) na esclera para drenar o humor aquoso para fora do olho, formando uma bolha filtrante. É a cirurgia mais indicada quando o glaucoma está avançado ou quando o nível de pressão-alvo exige reduções mais expressivas que os MIGS conseguem oferecer.
Os MIGS atuam pelas vias naturais de drenagem, com menor risco e recuperação mais rápida — porém com redução pressórica mais modesta. Não é uma questão de um ser melhor que o outro: cada procedimento tem seu espaço na escada terapêutica do glaucoma, e a escolha depende do estágio da doença, do nível de pressão-alvo necessário e do perfil do paciente.
Como é a recuperação após MIGS?
A recuperação dos MIGS é, em geral, bem mais tranquila que a das cirurgias convencionais:
- Retorno às atividades rotineiras em 1 a 3 dias
- Colírios anti-inflamatórios e antibióticos por 2 a 4 semanas
- Consultas de controle na primeira semana e no primeiro mês
- Resultados pressóricos avaliados após 4 a 8 semanas
Os MIGS substituem os colírios?
Para muitos pacientes, sim — parcialmente ou totalmente. Um dos objetivos dos MIGS é justamente reduzir a carga de colírios, que exigem uso diário, podem ter efeitos colaterais locais e sistêmicos, e dependem de adesão rigorosa do paciente.
Em alguns casos, o MIGS permite eliminar completamente os colírios. Em outros, reduz de 2-3 colírios para apenas 1, o que já representa uma melhora significativa na qualidade de vida.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre MIGS e trabeculectomia?
A trabeculectomia cria uma via nova de drenagem sob a conjuntiva e reduz muito a pressão, mas tem mais complicações e recuperação longa. As MIGS atuam pelas vias naturais de drenagem, têm perfil de segurança bem melhor e recuperação rápida, com redução de pressão em geral menor.
MIGS pode ser feita junto com a cirurgia de catarata?
Sim, e é a situação mais comum. O paciente com catarata e glaucoma resolve as duas coisas no mesmo tempo cirúrgico, sem incisão adicional relevante, o que torna a indicação bastante favorável.
Quem é candidato à MIGS?
Em geral, pacientes com glaucoma leve a moderado, sob uso de colírios, especialmente quando há catarata associada. Glaucoma avançado com necessidade de pressão muito baixa costuma exigir cirurgia filtrante.
A MIGS elimina o colírio?
Frequentemente reduz o número de colírios e, em parte dos casos, elimina. Não há garantia: o objetivo é atingir a pressão-alvo com menos medicação e menos risco.
Qual a recuperação de uma MIGS?
Rápida. A maioria dos pacientes retoma atividades em poucos dias, com colírios de pós-operatório por algumas semanas, esquema parecido com o da cirurgia de catarata.
MIGS é coberta por plano de saúde?
Alguns dispositivos têm cobertura pelo rol da ANS e outros não, e a regra muda com o tempo. A verificação é feita caso a caso pelo setor de autorização, antes do agendamento.
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